A «lei da rolha» e o apoio<br>aos fascistas

Ângelo Alves

Os ataques da União Europeia à democracia foram ao longo dos anos mascarados com imensas campanhas em torno dos «valores europeus» dos quais as «impolutas» e «democráticas» instituições da União Europeia sempre se afirmaram como grandes «guardiãs». No centro dessas operações esteve invariavelmente o Parlamento Europeu e os seus «partidos europeus». Ora, em tempos de profunda crise e intensa ofensiva já nem os «símbolos» da «democracia» e dos «valores europeus» escapa. Vem a consideração a propósito de dois factos que falam por si.

O primeiro são as alterações ao regimento do Parlamento Europeu. Uma autêntica lei da rolha, que a maioria do Parlamento Europeu impediu que fosse amplamente discutida pelo plenário do PE (apenas foi votada). Um regimento antidemocrático que limita fortemente o escrutínio das instituições da UE; restringe e mesmo extingue (como no caso das declarações escritas) alguns instrumentos de intervenção dos deputados ao PE; concentra ainda mais o poder nos dois maiores grupos (direita e social-democracia) e reduz o poder de intervenção dos deputados em comissões especializadas de vinte para duas comissões.

O segundo tem que ver com o financiamento dos partidos ditos europeus, contra os quais o PCP sempre se pronunciou e que não integra. O seu milionário financiamento é condicionado à aceitação por estes, nomeadamente nos seus estatutos, dos «valores» e «princípios» da União Europeia. Uma forma de comprar a aceitação política dos pilares da UE. Um dos mais recentes partidos europeus, criado em 2015, é o «Aliança para a Paz e a Liberdade». Nos seus estatutos lá está religiosamente a referência aos «valores» da União Europeia a que acrescentaram os «valores cristãos». Mas quem é afinal este novo «partido europeu»? Nada mais nada menos do que uma federação de partidos fascistas e neonazis como o Aurora Dourada da Grécia, o Forza Nuova de Itália, o NPD da Alemanha ou Nation belga, abertamente neonazi. Um «partido europeu» que, por o ser, recebeu em apenas um ano 600 000 euros da União Europeia, a mesma União Europeia que manipula o tema da extrema-direita para tentar justificar novas fugas em frente.




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